O CORONAVÍRUS E SUAS NOVAS CEPAS.

A esperança da retomada após o início das vacinações está sendo postergada porque só se ouve falar das novas variantes do Sars-CoV-2… 

Afinal, o que são variantes?

Fica fácil de pensarmos num livro, numa música que são adaptados em outras versões.

E é exatamente isso. 

Conforme o vírus se replica ele origina filhos (ou versões) com erros, que podem tanto matá-los como torná-los diferentes; como no caso dos livros/música, a essência deles permanece com alguns arranjos distintos.

As variantes estão circulantes em vários lugares do mundo e outras ainda surgirão, pois trata-se de um fenômeno natural.

E isso é ruim? 

Para podermos responder essa questão é necessário o sequenciamento do vírus e o comportamento destas variantes frente às vacinas, seu modo de reprodução, resposta aos tratamentos em estudo até o momento, entre outros quesitos. Para tornar isto viável é necessário investimento em pessoas capacitadas, bioinformática, equipamentos, reagentes e infraestrutura.

Cabe ressaltar que o sequenciamento genético não é um método de diagnóstico (rotina), contudo temos no país, uma rotina da vigilância dos vírus respiratórios, onde uma parte das amostras coletadas é destinada para sequenciamento genético ou diagnóstico diferencial. Estes testes vêm realizados pelos Centros de Referência de Influenza (Laboratórios de Saúde Pública no Brasil: Fundação Oswaldo Cruz, Instuto Adolfo Lutz e Instuto Evandro Chagas). Porém, outros laboratórios públicos e privados, no Brasil, realizam sequenciamento em suas linhas de pesquisa. 

Até o momento há um impasse sobre a transmissibilidade: são mais transmissíveis por si ou foram mais transmitidas devido ao relaxamento da população na prevenção da infecção (uso de máscaras, lavagem das mãos, evitar aglomeração).

Segundo declaração de 10 de fevereiro de 2021, sobre as vacinas que serão disponibilizadas pelo COVAX, Carissa F. Etienne, diretora da OPAS: “Com base nas evidências que temos agora sobre as ‘variantes de preocupação’, estamos confiantes de que nosso portfólio crescente de vacinas contra a COVID-19 continua sendo útil e nos guiará até o fim desta pandemia.” 

O Minstério da Saúde, em sua NOTA TÉCNICA Nº 59/2021-CGPNI/DEIDT/SVS/MS, declara que:         “ No momento, não há evidências científicas para determinar a mudança na infectividade ou patogenicidade dessa cepa variante, seu impacto no diagnóstico laboratorial ou eficácia da vacina, sendo necessárias investigações mais detalhadas.” 

A concordância destas declarações nos traz um alento sob essa perspectiva.

Entretanto, chegamos num ponto crítico onde todos estão ávidos a retomar suas atividades econômicas e sociais, porém, precisamos escolher em rever se abandonamos os hábitos de precaução e retomá-los com força e afinco!

O relaxamento da prevenção e boas práticas pode levar à disseminação de variantes como mencionamos acima e isto poderá agravar a situação da pandemia, uma vez que o mundo não está preparado a desenvolver vacina para toda a população mundial num curto/médio período de tempo, devido às características intrínsecas ao processo de produção das vacinas.